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Pra variar, Espherozoas quadrados!

Aqui vai a 3a historinha da série. Nessa época, eu estava estudando a língua saxã (antecipando a fama internacional que viria! 😉 Ainda não veio!), então, que Shakespeare me perdoe pelo meu inglês de Boston. Para os não anglófilos, a primeira plaquinha dizia (ou pelo menos, pretendia dizer) “Silêncio, Quadrazoa trabalhando”. A 3a placa: “Fale agora. Quadrazoa terminou seu trabalho” E a última, “Adeus, minha parte termina aqui”. O título do livro que o Quadrazoa de cima estava lendo é “Tenha Cuidado”. Espero que gostem. Voltem sempre.

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Espherozoa 2/100

Criei estas historinhas quando trabalhava de desenhista técnico na extinta Móveis Cimo, em 73, 74. Eram desenhadas atrás de bloquinhos feitos com sobras de projetos de móveis.

Estou escaneando e tratando um pouquinho (tirando os móveis que aparecem por causa da transparência do papel, acrescentando títulos, refazendo onomatopeias, etc.)

Pretendo publicar 100 delas aqui. Espero que curtam.espherozoa-1espherozoa-2

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Esferozoas 1/100: No meio do Caminho tinha um buraco

esferozoa-001-100416Nos anos 70, desenhei uma série de umas 100 historinhas sobre bolinhas sado-masoquistas que nunca foram publicadas. Não vou dizer nada sobre elas, vou simplesmente restaurá-las e publicá-las aqui. Não vou dizer nada, porque Fernando Pessoa já disse tudo:

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é,
Sentir, sinta quem lê!

Substituo “escrever” por “desenhar”, e intitulo a historinha “No meio do caminho tinha um buraco”. Está servida! Bom proveito!

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Aprendendo a aprender

Estou fazendo um curso com Jim Kwik, chamado Kwik Student, e uma aula com Brain Johnson, chamada Learning 101. Quero aprender italiano e metalinguisticamente, aprender a aprender, para repassar as técnicas para meus alunos.

Duas ou três dicas que já estou aplicando:

Dica de estudo #1: Evite a”Ilusão de fluência” (ler várias vezes e achar que sabe)!
Crie “disfluência”. Tente escrever o que aprendeu. Ou vá caminhar e repita o que estudou.
Ou crie cartões de estudo com a matéria.

Dica de estudo #2: se tiver 3 horas para estudar um assunto, 3 seções de 1 hora rendem MUITO MAIS que 1 seção de 3 horas.

Mais dicas:

regue-o-cerebro

ilusao-de-fluencia

dica-1-recuperacao-ativa

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A simplicidade é o último grau de sofisticação

Este título-epígrafe é uma citação de um dos maiores gênios que a humanidade já teve (ou terá), Leonardo da Vinci.
Meus alunos, na maioria adolescentes entre 15 e 18 anos, nunca ouviram falar em um comediante que fazia filmes muito simples e engraçados. Seu nome era Mazzaropi. Um sofisticado nome italiano para um jeca, um caipira que representou Pedro Malas-artes e Jeca Tatu no cinema. Morou em minha cidade natal, Curitiba, quando criança! Por apenas três meses, mas, talvez eu tenha brincado nas mesmas ruas que brinquei. Talvez tenha jogado futebol de pelada nos mesmos campinhos em que joguei… Me dá um frisson pensar nisso!

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O carro dos pesadelos

Ontem, caminhando pela rua do expresso aqui perto de casa (Padre Anchieta), descobri que o carro dos sonhos é uma perua (pensava que era uma combi), dirigido por uma perua (achava que era aquele cara que fala ‘É o carro dos sonhos que está passando…). Fiquei com dó da guria. Já pensou? Nos 30 minutos que ouço aquela lenga-lenga da minha janela no nono andar já fico com vontade de jogar uma granada no carro dos sonhos, imagina ela, DENTRO DELE!, ouvindo aquilo todo dia! É desumano! Quase comprei, pela primeira e última vez na vida, um sonho alfa!

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Insólitos e Saboroso Frutos dos Campos de Carvalho

 

Questão de um vestibular de uma realidade alternativa:

Qual é o título do livro mais famoso de Campos de Carvalho?

a) A Chuva Sutil

b) A Lua Vem da Bulgária

c) O Púcaro da Ásia

d) Vaca de Nariz Imóvel

e) Nenhum desses.

 

Alternativa correta, letra E.

Os títulos dos livros de Campos de Carvalho são tão deliciosos que não resisto a brincar com eles. Mais que brincar, quero saboreá-los como uma criança feliz que tem quatro doces ao alcance das mãos! Ela dá uma lambida no pirulito, depois encosta a ponta da língua no algodão doce, em seguida morde a maçã do amor e termina com uma dentada no chocolate.

Os títulos verdadeiros são A Chuva Imóvel, A Lua Vem da Ásia, O Púcaro Búlgaro e Vaca do Nariz Sutil.

Não dá vontade de abocanhá-los?

Mergulhar em suas páginas?

Mas, não vou falar sobre o autor, sobre sua obra, seu estilo…

Vou simplesmente lhe mostrar um capítulo de seu primeiro livro, de 1956, A Lua Vem da Ásia (Primeiro na opinião do autor, que renega o anterior, de 54, chamado Tribo.), e deixar você se a sós com a prosa de quem já foi chamado pela imprensa da época de debochado, imoral, satânico e mesmo louco.

Capítulo CLXXXIV

(Nota: Este é na verdade o 9º capítulo! Os anteriores são, respectivamente: Capítulo Primeiro, Capítulo 18º, Capítulo Doze, (Sem Capítulo), Capítulo sem Sexo, Capítulo 99, Capítulo Vinte, Capítulo I (Novamente) e Capítulo)

 

            Em Cochabamba, na Bolívia, num concurso para coveiros instituído pela municipalidade, obtive o segundo lugar, o que me valeu um contrato por dois anos com direito a dormir no cemitério. Pablo Morales, que foi nomeado comigo e obteve o primeiro lugar devido à sua larga experiência agrícola, era de pouca conversa e tinha verdadeira paixão pelo seu métier, ficando irritadiço e insuportável quando não tínhamos nada a fazer e nos víamos obrigados a cruzar os braços, como mineiros em greve. O que nos valia eram as revoluções constantes no país, que nos davam sempre um trabalho intensivo durante uma semana ou duas – ou então uma ou outra epidemia imprevista e fulminante, que arrasava pelo menos um terço da população. De uma feita chegamos a receber duzentos mortos de uma localidade vizinha, onde ocorrera um terremoto de magníficas proporções e que proporcionou a Pablo (e a mim também) alguns serões maravilhosos, à pálida luz da lua.

               Acusados de furto e violação de sepulturas, tivemos que escapar-nos às pressas numa noite de chuva e refugiar-nos em território peruana, onde Pablo foi morto a tiros por um caçador de codornas e eu, faminto, me identifiquei como sobrinho do rei da Bessarábia, até que pudessem provar o contrário. Em Cuzco tomei-me de amores por uma rapariga que não sabia uma só palavra de árabe, nem eu tampouco, e pude manter-me dignamente à sua custa durante alguns meses, até que o governo me deportou para a ilha de Sumatra num cargueiro que levava lhamas, algumas bugigangas de grosseira fabricação e meia dúzia de espiões comunistas. Da ilha de Sumatra pulei, não sei como, para a de Madagáscar, de onde alcancei a nado a costa de Moçambique, batendo todos os recordes de distância, mas incógnito. Empreguei-me como professor de natação na cidade de Beira, onde, falando embora o português, não conseguia entender o português deles e tive necessidade de arranjar um intérprete mestiço, que me roubou as poucas economias que tinha e ainda me levou o calção de banho, obrigando-me a mudar temporariamente meu sistema de ensino, que de prático passou a teórico.

               Nas horas vagas compunha poemas futuristas, que um de meus alunos se incumbia de traduzir paro o português local e eram publicados, às quintas-feiras, no Observador Econômico e Financeiro – seção feminina. Demitido a bem do serviço público, inscrevi-me numa maratona de danças e fui transportado semi-inconsciente para um hospital de tuberculosos, onde vim a falecer na madrugada de 15 de setembro de 1934. Mas o atestado de óbito fora passado um pouco às pressas e obtive alta dois meses depois, mais forte que um touro da Pomerânia ou de qualquer outra parte do globo.

                Quando dei por mim estava em pleno coração da África Equatorial Francesa, caçando elefantes e traduzindo Virgílio para o alemão, a pedido do padre Kremmer, que não sabia latim. Com a renda obtida de 15 mil elefantes mortos e alguns leopardos empalhados estabeleci-me em Brazzaville com um negócio de falsos diamantes e uma modesta casa de tolerância, servida por três nativas e duas francesas já avançadas em anos e que morreram logo depois. Vítima de injusta perseguição da polícia, mudei-me atabalhoadamente para Leopoldville, que fica logo defronte, e onde, fazendo-me passar por filho bastardo do rei dos belgas, obtive permissão para instalar-me com um novo prostíbulo, que se incendiou pouco depois. Reduzido à miséria, deflorei a filha de um capitalista que era dono de uma minha de estanho, e com o dinheiro da chantagem que lhe impus montei uma fábrica de relíquias e outros objetos de culto religioso, que prosperou durante algum tempo mas acabou indo à falência devido à perseguição do clero local. Como o capitalista ainda dispusesse de uma outra filha virgem, dei-lhe o mesmo destino da irmã e impus dessa vez um preço mais alto do que da primeira, o que me permitiu financiar com êxito a minha candidatura às próximas eleições locais e ser eleito deputado por expressiva margem de votos. Como não conseguisse provar minha nacionalidade belga, cassaram-me o mandato arbitrariamente e ainda me moveram um processo pelos dois defloramentos (que já eram três) executados nas barbas do tal capitalista do estanho, do que me resultou ser condenado à prisão perpétua e a trabalhos forçados numa mina de diamantes explorada pelo Estado. Consegui fugir num helicóptero que pousou justamente a dois passos de minha picareta: eu e mais dois sentenciados belgas que me ajudaram a torcer o pescoço aos afoitos aviadores e descobrir, dos céus, a direção exata do continente americano. Em Nova York fomos recebidos com as honras de heróis transatlânticos e entrevistados por uma cadeia de trinta mil jornais, embora tivéssemos a precaução de não proferir uma única palavra em inglês ou mesmo em qualquer outra língua viva. Com um contrato que nos ofereceram a Universal-International e uma fábrica de minhocas em conserva para uso de pescadores, conseguimos afinal separar-nos uns dos outros e rumar cada um para uma direção diferente (a fim de evitar suspeitas), a mim cabendo o México e as demais repúblicas da América Central, que atravessei disfarçado em padre e mesmo de cônego – como aconteceu em Tampico – até dar com os costados na bela capital da Colômbia, que inexplicavelmente nesse dia, nem no dia seguinte, não se achava em revolução.

             (Interrompido pela chegada da pseudoenfermeira, que veio aplicar-me o soro da juventude, que – agora eu sei – não passa do chamado soro da verdade, largamente aplicado durante a guerra e durante a paz. Seja o que Deus quiser.)

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Craque mesmo é quem pesquisa

É muito fácil dar a etimologia (origem, do grego “etimon” verdade, e “logia” estudo) de uma palavra. Fácil, falso e errado. Se você tiver a pachorra de ir procurar a origem de “craque” (no sentido que é usado em futebol, um exímio desportista e em geral, como alguém muito capaz), por exemplo, vai encontrar até galvões buenos (mas, na etimologia, muy malos) da vida escrevendo coisas como

“Quando as pessoas perceberam que haviam jogadores de futebol que faziam coisas incríveis em campo, precisavam de um adjetivo para se referir a esses jogadores. O que esses jogadores faziam era INCRÍVEL, assim como uma certa ‘pedrinha’ que as pessoas usavam que proporcionava uma sensação que também era INCRÍVEL. Então as pessoas fizeram essa associação, o jogador INCRÍVEL assim como o prazer INCRÍVEL da ‘pedrinha’ FONTE: Quem me contou foi o pescador / Galvão Bueno O Mais Clubista e Fanático”

Ou

“Craque, No turfe, os ingleses chamavam o melhor cavalo do páreo de crack-horse. O futebol copiou o termo e passou a designar de crack os melhores jogadores. Fonte(s):http://blog.tribunadonorte.com.br/ricard…”

Mas, se você resolver não dar ouvidos a anedotas bonitinhas (e erradinhas) e pesquisar em fontes confiáveis, como webster.com, chegará ao “etimon”.

Did You Know?

The late 19th-century pairing of crack and jack to form crackerjack topped off a long history for those words. Cracker is an elongation of crack, an adjective meaning “expert” or “superior” that dates from the 18th century. Prior to that, crack was a noun meaning “something superior” and a verb meaning “to boast.” (The verb use evolved from the expression “to crack a boast,” which came from the sense of crack meaning “to make a loud sharp sound.”) Jack has been used for “man” since the mid-1500s, as in “jack-of-all-trades.” Crackerjack entered English first as a noun referring to “a person or thing of marked excellence,” then as an adjective. You may also know Cracker Jack as a snack of candied popcorn and peanuts. That trademarked name dates from the 1890s.

Para os lusófonos:

Você sabia?

O final do século 19 nos trouxe a junção de crack e jack para formar crackerjack, completando a longa história dessas palavras. Cracker é um alongamento de crack, um adjetivo que significa “experto, perito” ou “superior”, datando do século XVIII. Antes disso, crack era um substantivo significando “algo superior” e um verbo, “vangloriar-se” (O uso verbo evoluiu a partir da expressão “estalar um orgulho”, que veio do sentido de crack de “produzir um som agudo e alto – um estalido.” ) Jack tem sido usada para “homem” desde meados dos anos 1500, como em “jack-of-all-trades” – “(homem) pau-para-toda-obra”. [Observação minha: o provérbio completo é “Jack of all trades, master of none” “Pau para toda obra, mestre de nenhuma”] – Crackerjack estreou na língua inglesa pela primeira vez como um substantivo referindo-se a “uma pessoa ou coisa de acentuada excelência”, em seguida, como adjetivo. Cracker Jack era também uma guloseima, um lanche de pipoca e amendoim cristalizado. Essa marca registrada remonta a 1890.”

Então, antes de sair “ensinando” que cesariana veio de Júlio César e que forró veio de “for all”, é bom pesquisar essas palavras em fontes confiáveis, não em qualquer Yahoo Answers da vida. Ósculos e amplexos aos craques dos meus queridos leitores.

 

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How do you say it?

Post #1

How do you say… in English? (Como se diz “x” em inglês?)

A

Vamos começar do começo: eis alguns termos importantes que você pode ter se perguntado (ou perguntado ao seu professor de inglês) e talvez não tenha obtido a resposta desejada.

a gota d’água − the last straw

acabar a carga (do celular) – run out of charge: My cell phone ran out of charge.

água com gás – sparkling water / água sem gás – flat water

ainda (o filme / a série) não saiu em DVD / bluray it’s not out on DVD / bluray yet.

amigo secreto − Secret Santa – Who’s your Secret Santa this year? Quem é seu amigo secreto este ano?

anestesiarput somebody under (Do you want to call somebody before I put you under?)

arrumadeira (de hotel) – turndown maid

assumir (homosexual) – come out of the closet

ateliê – art studio

aula geminada – double period class, a double period

Gostou? No próximo post tem mais. See you!

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O único adversário

Este texto é do meu colega, Yalli Rauber Von Gilsa

Algumas atrizes se acomodam quando não estão escaladas para nenhuma novela. Atletas no banco de reserva tendem a despreocupar-se em relação ao seu preparo físico e mental e, ao ganhar uma oportunidade, não estão preparados.

O campeão é aquele que mantém o gás mesmo quando os resultados não são os esperados. Eles criam objetivos e não deixam que derrotas provisórias abalem a sua fé na vitória.

É na fase de desemprego que o verdadeiro campeão prepara a sua guinada definitiva. Em momentos de crise pessoal, o autêntico profissional analisa as novas oportunidades, revoluciona sua carreira e mergulha de cabeça numa nova decisão.

Ninguém entra em crise por vontade própria: o governo desvaloriza o real, a empresa decide fechar a fábrica na qual você trabalha, a sua mulher (ou marido) decide abandonar o casamento… Crises fazem parte da vida. É a sua atitude diante dos problemas que determinará a saída. Os perdedores se sentem vítimas do destino e transformam sua dor em ressentimento. Os vencedores aproveitam os problemas para mudar a vida para melhor.

No último campeonato de Roland Garros, ao ganhar por 3 sets a 2, André Agassi, que estava perdendo por 2 a 0, fez o seguinte comentário: “O maior trabalho que tive durante a partida foi me tirar da minha distração. Os dois primeiros sets eu perdi para mim, para a minha insegurança. Quando voltei a me concentrar no jogo, as coisas deram certo”.

O único adversário que vale a pena enfrentar está dentro da gente.