Espherozoa 20/100 – Fire!

É Fogo!

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Os ingleses e americanos já têm saudade!

Sem título-1

Definitions for saudade

(in Portuguese folk culture) a deep emotional state of melancholic longing for a person or thing that is absent: the theme of saudade in literature and music.

Citations for saudade

… “The Girl From Ipanema” was a potent distillation of the concept of saudade, a feeling of melancholic nostalgia that characterizes so much Brazilian music. … Longing for the unattainable, and an acute sense of the moment’s slipping away: That’s saudadeStephen Holden, “Brazilian Yearning and Imminent Loss,” New York Times, March 21, 2014

Its name comes from the word saudade, which describes the melancholic nostalgia one feels for people, things, pleasures and times now lost.Antonio Tabucchi, Requiem: A Hallucination, translated by Margaret Jull Costa, 1994

Origin of saudade
Portuguese saudade ultimately derives from Latin sōlitāt-, the stem of sōlitās “loneliness, solitude.” (Latin -l- between vowels is lost in Portuguese; Latin -t- between vowels becomes -d- in Portuguese and Spanish.) The original Old Portuguese form soidade was altered to saudade under the influence of the verb saudar “to salute, greet” (from Latin salūtāre “to keep safe, pay one’s respects”). Saudade entered English in the 20th century.
Definições de saudade

(Na cultura popular portuguesa) um profundo estado emocional de recordação melancólica por uma pessoa ou coisa que está ausente: o tema da saudade na literatura e na música.

Citações para saudade

… “A Garota de Ipanema” foi uma potente destilação do conceito de saudade, um sentimento de melancólica nostalgia que caracteriza tanta música brasileira. … Desejando o inatingível, e um senso agudo do momento está escorregando afastado: Isso é saudade.Stephen Holden, “Anseio brasileiro e perda iminente”, New York Times, 21 de março de 2014

Seu nome vem da palavra saudade, que descreve a nostalgia melancólica que se sente por pessoas, coisas, prazeres e tempos agora perdidos. Altonio Tabucchi, Requiem: A Hallucination, traduzido por Margaret Jull Costa, 1994

Origem de saudade
A saudade portuguesa deriva, em última instância, do latín sōlitāt-, a raiz de sōlitās “solidão, solidão”. (O -l- latino,  entre as vogais, perdeu-se em português, o -t- latino, entre vogais torna-se -d- em português e espanhol. A forma portuguesa soidade foi alterada para saudade sob a influência do verbo saudar “para saudar, cumprimentar” (do latín salūtāre “manter-se seguro, pagar os respeitos”). Saudade entrou no inglês no século XX.

Un nuovo anno comincia, e che cosa ne faremo?

Um ex-aluno, Gabriel Ferrari, escreveu, em italiano, este belo e inspirador poema.

Un nuovo anno comincia, e che cosa ne faremo?

Prosseguiremmo, ma ci manca zampe;

ameremmo, ma ci manca passione.

Siete bravi!

 

 

A new year begins, and what will we do with it?

Proceed; but we lack legs;

We would love, but we lack passion.

Be brave!

 

 

Une nouvelle année commence, qu’est-ce qu’on en fera?

Avancer, mais il nous faut des jambes

Aimer, mais il nous faut de la passion

Courage!

 

 

Un nuevo año empieza, ¿y qué le haremos?

Seguiremos, pero nos faltan las piernas;

Amaremos, pero nos falta la pasión.

!Seamos bravos!

 

Um novo ano começa, e o que faremos dele?

Prosseguiremos, mas faltam-nos pernas;

Amaremos, mas falta-nos paixão.

Sejamos bravos!

A simplicidade é o último grau de sofisticação

Este título-epígrafe é uma citação de um dos maiores gênios que a humanidade já teve (ou terá), Leonardo da Vinci.
Meus alunos, na maioria adolescentes entre 15 e 18 anos, nunca ouviram falar em um comediante que fazia filmes muito simples e engraçados. Seu nome era Mazzaropi. Um sofisticado nome italiano para um jeca, um caipira que representou Pedro Malas-artes e Jeca Tatu no cinema. Morou em minha cidade natal, Curitiba, quando criança! Por apenas três meses, mas, talvez eu tenha brincado nas mesmas ruas que brinquei. Talvez tenha jogado futebol de pelada nos mesmos campinhos em que joguei… Me dá um frisson pensar nisso!

Insólitos e Saboroso Frutos dos Campos de Carvalho

 

Questão de um vestibular de uma realidade alternativa:

Qual é o título do livro mais famoso de Campos de Carvalho?

a) A Chuva Sutil

b) A Lua Vem da Bulgária

c) O Púcaro da Ásia

d) Vaca de Nariz Imóvel

e) Nenhum desses.

 

Alternativa correta, letra E.

Os títulos dos livros de Campos de Carvalho são tão deliciosos que não resisto a brincar com eles. Mais que brincar, quero saboreá-los como uma criança feliz que tem quatro doces ao alcance das mãos! Ela dá uma lambida no pirulito, depois encosta a ponta da língua no algodão doce, em seguida morde a maçã do amor e termina com uma dentada no chocolate.

Os títulos verdadeiros são A Chuva Imóvel, A Lua Vem da Ásia, O Púcaro Búlgaro e Vaca do Nariz Sutil.

Não dá vontade de abocanhá-los?

Mergulhar em suas páginas?

Mas, não vou falar sobre o autor, sobre sua obra, seu estilo…

Vou simplesmente lhe mostrar um capítulo de seu primeiro livro, de 1956, A Lua Vem da Ásia (Primeiro na opinião do autor, que renega o anterior, de 54, chamado Tribo.), e deixar você se a sós com a prosa de quem já foi chamado pela imprensa da época de debochado, imoral, satânico e mesmo louco.

Capítulo CLXXXIV

(Nota: Este é na verdade o 9º capítulo! Os anteriores são, respectivamente: Capítulo Primeiro, Capítulo 18º, Capítulo Doze, (Sem Capítulo), Capítulo sem Sexo, Capítulo 99, Capítulo Vinte, Capítulo I (Novamente) e Capítulo)

 

            Em Cochabamba, na Bolívia, num concurso para coveiros instituído pela municipalidade, obtive o segundo lugar, o que me valeu um contrato por dois anos com direito a dormir no cemitério. Pablo Morales, que foi nomeado comigo e obteve o primeiro lugar devido à sua larga experiência agrícola, era de pouca conversa e tinha verdadeira paixão pelo seu métier, ficando irritadiço e insuportável quando não tínhamos nada a fazer e nos víamos obrigados a cruzar os braços, como mineiros em greve. O que nos valia eram as revoluções constantes no país, que nos davam sempre um trabalho intensivo durante uma semana ou duas – ou então uma ou outra epidemia imprevista e fulminante, que arrasava pelo menos um terço da população. De uma feita chegamos a receber duzentos mortos de uma localidade vizinha, onde ocorrera um terremoto de magníficas proporções e que proporcionou a Pablo (e a mim também) alguns serões maravilhosos, à pálida luz da lua.

               Acusados de furto e violação de sepulturas, tivemos que escapar-nos às pressas numa noite de chuva e refugiar-nos em território peruana, onde Pablo foi morto a tiros por um caçador de codornas e eu, faminto, me identifiquei como sobrinho do rei da Bessarábia, até que pudessem provar o contrário. Em Cuzco tomei-me de amores por uma rapariga que não sabia uma só palavra de árabe, nem eu tampouco, e pude manter-me dignamente à sua custa durante alguns meses, até que o governo me deportou para a ilha de Sumatra num cargueiro que levava lhamas, algumas bugigangas de grosseira fabricação e meia dúzia de espiões comunistas. Da ilha de Sumatra pulei, não sei como, para a de Madagáscar, de onde alcancei a nado a costa de Moçambique, batendo todos os recordes de distância, mas incógnito. Empreguei-me como professor de natação na cidade de Beira, onde, falando embora o português, não conseguia entender o português deles e tive necessidade de arranjar um intérprete mestiço, que me roubou as poucas economias que tinha e ainda me levou o calção de banho, obrigando-me a mudar temporariamente meu sistema de ensino, que de prático passou a teórico.

               Nas horas vagas compunha poemas futuristas, que um de meus alunos se incumbia de traduzir paro o português local e eram publicados, às quintas-feiras, no Observador Econômico e Financeiro – seção feminina. Demitido a bem do serviço público, inscrevi-me numa maratona de danças e fui transportado semi-inconsciente para um hospital de tuberculosos, onde vim a falecer na madrugada de 15 de setembro de 1934. Mas o atestado de óbito fora passado um pouco às pressas e obtive alta dois meses depois, mais forte que um touro da Pomerânia ou de qualquer outra parte do globo.

                Quando dei por mim estava em pleno coração da África Equatorial Francesa, caçando elefantes e traduzindo Virgílio para o alemão, a pedido do padre Kremmer, que não sabia latim. Com a renda obtida de 15 mil elefantes mortos e alguns leopardos empalhados estabeleci-me em Brazzaville com um negócio de falsos diamantes e uma modesta casa de tolerância, servida por três nativas e duas francesas já avançadas em anos e que morreram logo depois. Vítima de injusta perseguição da polícia, mudei-me atabalhoadamente para Leopoldville, que fica logo defronte, e onde, fazendo-me passar por filho bastardo do rei dos belgas, obtive permissão para instalar-me com um novo prostíbulo, que se incendiou pouco depois. Reduzido à miséria, deflorei a filha de um capitalista que era dono de uma minha de estanho, e com o dinheiro da chantagem que lhe impus montei uma fábrica de relíquias e outros objetos de culto religioso, que prosperou durante algum tempo mas acabou indo à falência devido à perseguição do clero local. Como o capitalista ainda dispusesse de uma outra filha virgem, dei-lhe o mesmo destino da irmã e impus dessa vez um preço mais alto do que da primeira, o que me permitiu financiar com êxito a minha candidatura às próximas eleições locais e ser eleito deputado por expressiva margem de votos. Como não conseguisse provar minha nacionalidade belga, cassaram-me o mandato arbitrariamente e ainda me moveram um processo pelos dois defloramentos (que já eram três) executados nas barbas do tal capitalista do estanho, do que me resultou ser condenado à prisão perpétua e a trabalhos forçados numa mina de diamantes explorada pelo Estado. Consegui fugir num helicóptero que pousou justamente a dois passos de minha picareta: eu e mais dois sentenciados belgas que me ajudaram a torcer o pescoço aos afoitos aviadores e descobrir, dos céus, a direção exata do continente americano. Em Nova York fomos recebidos com as honras de heróis transatlânticos e entrevistados por uma cadeia de trinta mil jornais, embora tivéssemos a precaução de não proferir uma única palavra em inglês ou mesmo em qualquer outra língua viva. Com um contrato que nos ofereceram a Universal-International e uma fábrica de minhocas em conserva para uso de pescadores, conseguimos afinal separar-nos uns dos outros e rumar cada um para uma direção diferente (a fim de evitar suspeitas), a mim cabendo o México e as demais repúblicas da América Central, que atravessei disfarçado em padre e mesmo de cônego – como aconteceu em Tampico – até dar com os costados na bela capital da Colômbia, que inexplicavelmente nesse dia, nem no dia seguinte, não se achava em revolução.

             (Interrompido pela chegada da pseudoenfermeira, que veio aplicar-me o soro da juventude, que – agora eu sei – não passa do chamado soro da verdade, largamente aplicado durante a guerra e durante a paz. Seja o que Deus quiser.)